06.09.07
Choque de Inhotim
Lucas Mendes
Eu não estava e nem você está preparado para levar o choque de Inhotim. Se você cair de quatro ou ficar de joelhos, não será o primeiro nem o último.
Vamos começar pelo nome. Inhotim. Tim era um fazendeiro gringo, e Inho, naqueles tempos, era senhor.
Virou Inhotim. Simples, mas às vezes é dificil entender.
Fui lá a primeira vez há uns 20 anos, a convite de Bernado Paz, para conhecer a mineração dele. Depois nos convidou para almoçar na casa da fazenda, modesta mas limpa e confortável.
Hoje é a única construção modesta em Inhotim, com certeza a maior combinação de museu de arte contemporânea e jardim botânico do mundo.
A cinco minutos do terceiríssimo mundo de Brumadinho e a menos de uma hora de Belo Horizonte, levei um choque de primeiro mundo como nunca tinha sentido no Brasil.
Não duvide se Inhotim tiver em Minas o impacto cultural igual ou maior que o Guggenheim teve em Bilbao e na região do País Basco.
O jardim nasceu na década de 80, filho da amizade de Bernardo com Burle Marx. O paisagista vinha do Rio e outras partes carregado de plantas nobres e raras.
Constrói-se um lago aqui, outro ali, mais uma fileira de palmeiras e um ninho de patas de elefante.
A fazenda virou um vasto e lindo jardim. Hoje Inhotim tem 310 empregados, a maioria jardineiros.
No tempo que eu conheci o Bernardo em Nova York ele nunca manifestou interesse por arte ou museu, mas ele diz que herdou a sensibilidade da mãe, que pintava e escrevia poesia em casa.
Conta que um dia foi "tungado".
A amizade com o artista Tunga deu nele um desejo irresistível de enriquecer o jardim com obras de arte moderna. Cada artista teria sua própria galeria, e a primeira obra foi a de Tunga.
Hoje são nove galerias em condições impecáveis para proteger as 400 obras do acervo, na maioria grandes instalações.
Cildo Meireles tem duas, Hélio Oitica uma, a galeria da Adriana Varejão - mulher de Bernardo - está quase pronta, e há trabalhos de artistas do mundo inteiro.
Para quem não entende de arte moderna, como é, é difícil saber se o melhor do Inhotim está dentro ou fora das galerias, no magnífico jardim.
Há quatro lagos com dezenas de aves e vários cisnes negros com tanta atitude que deixam os brancos de bico caído.
Inhotim está aberto para o público de quinta a domingo e em outubro vai fazer um ano.
Para quem detesta verde e arte, há um ótimo restaurante e um bar cheio de bossa onde os visitantes podem matutar sobre o fenômeno Inhotim.
Quanto custou? De onde veio o dinheiro? Será que se paga só com a venda de ingressos?
A maledicência mineira não tem limites, mas quando você ouve o Bernardo contar como foi e como vai ser daqui a alguns anos - 28 galerias, mais lagos, cisnes, spa isto, hotel aquilo, centro de conferências, campo de golfe com todos os buracos, você percebe que está diante de um dos maiores egos do mundo.
O Super Ego não é nada perto do ego faraônico-babilônico do Bernardo.
Este é o grande impulso do Inhotim. São egos como o dele que mudam a paisagem do mundo.
Dísponivel em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/09/070906_lucasmendes_ac.shtml
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
sexta-feira, 19 de outubro de 2007


05.07.07
Décimo Sétimo Programa da Série DOCTV III
Documentário mostra as relações entre as pessoas por meio de intervenções em lotes desocupados
A capital mineira, Belo Horizonte, possui cerca de 70 mil lotes não ocupados, cerca de 10% das propriedades privadas, que para o grupo de artistas e arquitetos do Projeto Lotes Vagos, são espaços para contínuas ações de intervenção que podem transformá-los em locais públicos temporários.Foi a partir das atividades implantadas por esse Projeto que surgiu a idéia do roteiro para o documentário Metros Quadrados, dirigido por Ines Linke e Louise Ganz, que estréia neste domingo, dia 8 de julho, às 23h, pelas emissoras que compõem a Rede Pública de Televisão. O filme é uma das duas produções produzidas no estado de Minas Gerais para a terceira edição do Programa DOCTV, na qual foram selecionados 35 trabalhos dentre os 859 projetos inscritos.
Segundo Ines Linke, o Projeto Lotes Vagos – Ação Coletiva de Ocupação Urbana Experimental, desenvolvido por Louise Ganz, arquiteta e artista plástica, serviu como base para o filme a partir da sua observação de lotes em um bairro da periferia da capital mineira. "A partir desse lotes 'nutritivos' completamente plantados por entre as casas do bairro surgiu a idéia do jardim-lote e de usar os espaços vagos que estivessem em áreas adensadas da cidade para gerar situações e programas distintos do uso especulativo e criar novos usos e apropriações", comenta.A diretora afirma que para o documentário manteve-se como objeto o potencial das áreas da cidade incluídos no Projeto Lotes Vagos. Mas, optou-se por enfocar menos o trabalho dos artistas e enfatizar a transformação do cotidiano das pessoas.O DocumentárioA narrativa de Metros Quadrados se desenvolve em diversos planos: a seqüência das intervenções, uma animação e uma série de entrevistas com arquitetos, incorporadores, geólogos, economistas, dentre outros. Durante as seis intervenções realizadas para as gravações do filme foram registradas as ações e participações espontâneas das pessoas, suas interações com as situações propostas e as relações entre si. Os lotes desocupados e escondidos em diversos bairros foram temporariamente transformados em lugares de encontro, descanso e de lazer."Nesse processo pensa-se as relações ambientais, o efeito da vegetação e dos animais, da infiltração das águas, nos lotes como constituição de uma ecologia urbana. Os temas das distâncias e proximidades das áreas de lazer e de trabalho na cidade, a configuração do espaço em relação ao comportamento e a existência de espaços abertos e verdes e de áreas residuais usadas informalmente na cidade", afirma Ines Linke.A cineasta explica que um roteiro foi elaborado pensando nos ângulos e tomadas para a filmagem e em uma possível seqüência para a edição. Ela comenta que muitas coisas dependeram de acasos e da participação das pessoas, o que não podia ser planejado antecipadamente. A seleção dos personagens para o documentário foi feita a partir da interação das pessoas com as situações e a duração de sua permanência no local. Com a veiculação do filme na televisão, a expectativa da diretora é "divulgar uma idéia e criar um debate que envolva diversas áreas como a arquitetura, arte, urbanismo e as políticas públicas."DOCTV - Realização da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAV/MinC), em parceria com a Fundação Padre Anchieta/TV Cultura e a Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (ABEPEC), com apoio da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD), o Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário Brasileiro – DOCTV objetiva a regionalização da produção de documentários, a articulação de um circuito nacional de teledifusão e a viabilização de mercados para o documentário nacional.Leia mais sobre os documentários da Série DOCTV III:
Sábado à Noite
Chupa-Chupa, a História que Veio do Céu
O Crime da Ulen
Estado de Resistência
Dyckias
Zumbi Somos Nós
A Bença
Lutzenberger – For Ever Gaia
Uma Cruz, uma História e uma Estrada
Um Corpo Subterrâneo
Nas Trilhas de Makunaima
Mapulawache: A Festa do Pequi
Calabar
Alô, Alô Amazônia
Uma Encruzilhada Aprazível
DOCTV III apresenta conteúdo
Décimo Sétimo Programa da Série DOCTV III
Documentário mostra as relações entre as pessoas por meio de intervenções em lotes desocupados
A capital mineira, Belo Horizonte, possui cerca de 70 mil lotes não ocupados, cerca de 10% das propriedades privadas, que para o grupo de artistas e arquitetos do Projeto Lotes Vagos, são espaços para contínuas ações de intervenção que podem transformá-los em locais públicos temporários.Foi a partir das atividades implantadas por esse Projeto que surgiu a idéia do roteiro para o documentário Metros Quadrados, dirigido por Ines Linke e Louise Ganz, que estréia neste domingo, dia 8 de julho, às 23h, pelas emissoras que compõem a Rede Pública de Televisão. O filme é uma das duas produções produzidas no estado de Minas Gerais para a terceira edição do Programa DOCTV, na qual foram selecionados 35 trabalhos dentre os 859 projetos inscritos.
Segundo Ines Linke, o Projeto Lotes Vagos – Ação Coletiva de Ocupação Urbana Experimental, desenvolvido por Louise Ganz, arquiteta e artista plástica, serviu como base para o filme a partir da sua observação de lotes em um bairro da periferia da capital mineira. "A partir desse lotes 'nutritivos' completamente plantados por entre as casas do bairro surgiu a idéia do jardim-lote e de usar os espaços vagos que estivessem em áreas adensadas da cidade para gerar situações e programas distintos do uso especulativo e criar novos usos e apropriações", comenta.A diretora afirma que para o documentário manteve-se como objeto o potencial das áreas da cidade incluídos no Projeto Lotes Vagos. Mas, optou-se por enfocar menos o trabalho dos artistas e enfatizar a transformação do cotidiano das pessoas.O DocumentárioA narrativa de Metros Quadrados se desenvolve em diversos planos: a seqüência das intervenções, uma animação e uma série de entrevistas com arquitetos, incorporadores, geólogos, economistas, dentre outros. Durante as seis intervenções realizadas para as gravações do filme foram registradas as ações e participações espontâneas das pessoas, suas interações com as situações propostas e as relações entre si. Os lotes desocupados e escondidos em diversos bairros foram temporariamente transformados em lugares de encontro, descanso e de lazer."Nesse processo pensa-se as relações ambientais, o efeito da vegetação e dos animais, da infiltração das águas, nos lotes como constituição de uma ecologia urbana. Os temas das distâncias e proximidades das áreas de lazer e de trabalho na cidade, a configuração do espaço em relação ao comportamento e a existência de espaços abertos e verdes e de áreas residuais usadas informalmente na cidade", afirma Ines Linke.A cineasta explica que um roteiro foi elaborado pensando nos ângulos e tomadas para a filmagem e em uma possível seqüência para a edição. Ela comenta que muitas coisas dependeram de acasos e da participação das pessoas, o que não podia ser planejado antecipadamente. A seleção dos personagens para o documentário foi feita a partir da interação das pessoas com as situações e a duração de sua permanência no local. Com a veiculação do filme na televisão, a expectativa da diretora é "divulgar uma idéia e criar um debate que envolva diversas áreas como a arquitetura, arte, urbanismo e as políticas públicas."DOCTV - Realização da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAV/MinC), em parceria com a Fundação Padre Anchieta/TV Cultura e a Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (ABEPEC), com apoio da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD), o Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário Brasileiro – DOCTV objetiva a regionalização da produção de documentários, a articulação de um circuito nacional de teledifusão e a viabilização de mercados para o documentário nacional.Leia mais sobre os documentários da Série DOCTV III:
Sábado à Noite
Chupa-Chupa, a História que Veio do Céu
O Crime da Ulen
Estado de Resistência
Dyckias
Zumbi Somos Nós
A Bença
Lutzenberger – For Ever Gaia
Uma Cruz, uma História e uma Estrada
Um Corpo Subterrâneo
Nas Trilhas de Makunaima
Mapulawache: A Festa do Pequi
Calabar
Alô, Alô Amazônia
Uma Encruzilhada Aprazível
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Informações sobre o DOCTV: (11) 2182-3400.Informações à imprensa: (61) 3316-2044.
(Texto: Thaís Alves, Secretaria do Audiovisual/MinC)
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